olhai o lírio no deserto

com um lírio plantado no meu corpo
sou filha do deserto e areia
olhai o lírio no deserto
do campo sem flor, olhai
olhai a tristeza que nasce
olhai o lírio branco.

claudia almeida


asas do abismo
quando falo do desassossego
se há amor
bem se sabe que é triste
a imagem dum bebê morto
e suas asinhas a cair pelo abismo
claudia almeida


distância
um peixe nasce na areia
é o que vem do sonho
o mar se recolhe na distância 

marte
com um pouco de sol
a lágrima cai em marte
por detrás das minhas costas
asas da consciência.
claudia almeida





flor de cebola
é noite e o céu está verde
uso saia de cebola
e caminho num igarapé
a chuva cai sob meus pés
estala na beira do rio
um inseto se estica num ramo de flor
deus voa qual borboleta
um índio invisível canta como um pássaro
ancestral de si mesmo olha pro céu
a lua e as estrelas passam depressa
um curumim nasce na aldeia
e contam pra ele o segredo da flor...
claudia almeida


Quem matou Marielle ?


Marielle ,escreveu resistência
um poema politico resiste ao tempo, Marielle
seu pensamento ressuscita em nós os corpos de todos !
a morte está enrolada aos nossos pés...
claudia almeida


pipa
e a linha do menino é a milha
que morre quando morre a vida
que passa quando passa a morte
do medo logo cedo
que cega o que poderia ser lido
é a milha , é a milha
claudia almeida

rocinha-rj
foto luiz frota


anjo natalino

tem um anjo que peregrina minha mente
ilumina meus olhos qual poente na tarde
onde outra gente se alegra com o natal
preenche o imperecível no universo
e nasce no sentido do pensar.

claudia almeida



um conto africano a gazela e a lesma
inspirou-me...

o dia está triste
escrevo um poema fora da caixa
a gazela está morta não há surpresas
espalho folhas para envolver-te
ouço uma canção de amor
o sol é uma lesma que desce qual mel
o que há dentro da caixa?
um joelho de barro que grita de dor
herdei a morte e uma canção pra áfrica.


claudia almeida



sideral a quinta flor
e a poeira que desce no trigo
deuses do inverno
pra que terra se desamor
o semeador surdo vaga na rua
espalhando o que queima os passos
arde todo vento dentro de mim
bordei na pele o corpo de luas passadas

claudia almeida